O Louvor e os Malabaristas

  01/03/2015     1,636 views     0





     Estava essa semana reparando um casal de hippie fazendo malabares no semáforo em quanto ele estava fechado para os carros, no centro da cidade de Petrópolis/RJ. Em uma sociedade tão acelerada eles passam quase despercebidos para muitos que transitam no local.
     O rapaz pegou seus malabares (um Devil Stick) e começou a se apresentar, surpreendendo uma dezena de pessoas que assim como eu formavam sua plateia. Sem deixar cair, finalizou sua apresentação, retirou seu chapéu e foi em direção aos carros em busca de qualquer quantia de dinheiro.
     De forma democrática, cada um se apresentava sozinho para a plateia móvel. A moça pegou três aros amarelos e começou a jogar em direção ao céu, como uma prece a Deus para que seu show lhe proporcionasse a possibilidade de um almoço. Incrivelmente, com uma habilidade incrível, terminou sua apresentação. Na esperança, se direcionou aos carros parados tentando avistar um braço estendido pela janela com qualquer trocado na mão, como recompensa de sua bela apresentação.
     E assim iam se apresentando até que um fato inusitado me chamou a atenção. A moça pegou os três aros e começou a se apresentar como fizera das outras vezes. Quase no final de seu espetáculo, por um descuido deixou cair um cair. Pela primeira vez desde que eu assistia, ela não foi em direção ao carro, envergonhada foi até a calçada e treinou mais uma vez a série esperando o rapaz terminar a sua apresentação.
     Notei que todas as vezes que ela acertava ela ia em direção aos carros em busca da recompensa, porém, todas as vezes que errava ela não se achava no direito de pedir algo, pois não apresentou algo com perfeição.
     Duas lições podem ser tiradas desta situação:
1 - Tem apresentações que não são dignas nem de serem oferecida aos homens (envergonhada ela voltava para a calçada sem pedir qualquer coisa).
2 - Não devemos fazer do erro um amigo (na calçada ela treina em busca de oferecer uma apresentação digna).
     Observando a realidade em nossos Ministérios de Louvor, muitas vezes nossa música (neste caso estou falando apenas do desempenho musical) não é digna nem para ser apresentada aos homens, quanto mais ser oferecida a Deus. Mas do que isso, o preocupante é a amizade com o erro, vivemos lado a lado com um discurso contraditório, o Deus que dizemos ser GRANDE com a oferta (louvor através da música) que demonstra o contrário, vivendo em constante paradoxo.
     Assim como aquela Mulher em Betânia que derramou aos pés de Jesus um perfume de muito valor (vide Matheus 26:6), devemos sempre oferecer ao Grandioso Deus algo que tenha valor.
     Lembro-me também que Deus no livro de Malaquias capítulo 1 está condenando o povo de Israel por oferecer ofertas indignas. Os sacerdotes não conseguiam enxergar seus erros, estavam cegos diante do abito adquirido, mostrando uma perigosa amizade com o erro.
     - Vós dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome??(Malaquias 1:6)
     É triste quando não conseguimos enxergar nossos erros contra Deus. Os sacerdotes não mais enxergavam, porém Deus os lembrou.
     - Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e ainda perguntais: Em que te havemos profanado? Nisto, que pensais: A mesa do SENHOR é desprezível.
     Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal? E, quando trazeis o coxo ou o enfermo, não é isso mal?? (Malaquias 1:7-8)
     Em Levíticos 22:19 Deus instrui o povo de Israel dizendo que todo animal oferecido deveria ser sem defeito. E o que o povo estava oferecendo? Animais cegos, coxos e enfermos. Se formos passar para a nossa realidade, poderíamos fazer uma analogia e dizer que os animais cegos, coxos e enfermos podem ser comparados a:
- um período de louvor sem ensaio;
- uma ministração feita sem preparo prévio;
- instrumentistas tocando sem conhecer a música;
- ministro e vocalistas lendo a letra, pois não sabem a música (um cego guiando outro cego);
- integrantes do ministério de louvor não buscarem crescer espiritualmente e musicalmente;
     O animal com defeito representa todo o desleixo que temos em nossa vida ministerial, tudo o que entregamos a Deus pela metade. É preciso lembrar que a oferta é reflexo da visão sobre quem é Deus.
     Para terminar, o que vi na prática, confirmei (não lembrava desta passagem) neste capítulo de Malaquias, que realmente há ofertas (louvor) que não são dignas nem dos homens, quanto mais de serem entregues a Deus.
     "Ora, apresenta-o ao teu governador; acaso, terá ele agrado em ti e te será favorável? " diz o SENHOR dos Exércitos. (Malaquias 1:9)
     Que tipo de louvor (oferta) tem oferecido a Deus?



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